sábado, 12 de outubro de 2013

Sonhos e medos

Aquele que destruiu meus sonhos também me ajudou a enfrentar meus medos. 
                                                                      Simone Lúcia 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Promessas de amor e de vida


Hoje, ligaram para saber como estou. A voz ,que vinha do outro lado da linha ,relatava o seu sofrer, simplesmente igual ,e depois passou a falar com tom nervosamente risonho. 
São tantos os risos de causos e de dor. Um jeito típico de falar, que mistura sofrimento, tristeza com imensa esperança e alegria. 

Mas, tudo o que se ouvia ,já havia chegado aos ouvidos do passado. Fato que contradiz a lei da natureza do não ser possível voltar realmente ao mesmo local de acontecimentos passados. 

Ao ouvir aquela voz ,tão conhecida, chorei em segredo, para que a voz não ouvisse ou soubesse minha dor. Então, falei da importância pela espera, para quem já viveu o dobro de mim. 

Chorei, a dor por mim, pelos meus e pelos outros. 
Chorei, a inercia do fazer , do pensar ou do dizer. Simplesmente, porque ,sei não ser possível, ensinar ou aprender,esperar pela espera. 

A fala que conta a rotina de uma vida simples : acordar, ler um livro, ouvir uma música, praticar atividade esportiva...Dependendo da idade, pode ser essa tal esperança quieta ou a recompensa de um passado que começa a pagar as próprias contas. 

A pior pobreza é aquela que não é necessária. Pobreza que é puro desprezo de quem parte. Pobreza que é sinônimo de vingança puro ato egoísta do abandono. Pobreza construída e justificada no nosso não merecer. É um sofrer "de graça", um sofrer que tem preço, sentido e existência na negação do outro e no egoismo de alguém. É justamente esta pobreza que temo em dividir com pobres seres de mim. 

Caso o futuro fosse sido revelado no passado vivido, certamente, tais existências não teriam existido. O que pensei ,naquele dado instante ,não foi suficientemente razão, para ter ultrapassado a possibilidade acidental que, as vezes, é a vida ?

Vida gerada na esperança de uma amanhã que começa no ato inconsciente de instintiva sobrevivência. 

Mais desejo do que consciência. 

Mais emoção do que razão. mais ganhos do que perdas. 

A lei de uma compensação ainda ,se quer ,imaginada. 

Mas, para quem respira o amor, todo o fruto se desdobra na felicidade enquanto promessa. Esta é a lei que faz brotar a vida e dar continuidade ao agora. 

Sem promessas, por que amar e viver ?


Abrindo caixas


Um hoje, como passo dado em direção do desejo ou do pensar. 
Um amanhã, sempre construído de retalhos; de passos largos; abraços afetuosos;suspiros doces de desejo. Por viver, com intensidade, o aqui e o agora , deixando o amanhã para os olhos que acordam. 
Para uns, o "vir a ser" ou o "se tornar", são sempre possibilidades de encontros. 
Para outros, o trabalho diário ,de significar o agora,faz , de cada instante, cadeias e trilhas que promovem chegadas. 
Deixar vir ,ao nosso encontro,nossa própria procura. Antecipar a felicidade do amanhã;comer chocolate que não se embala e sentir o doce, antes do fim ou do começo. Ato ecologicamente saudável para alma, pura redução e desperdício, de dor e de espera. 
Por que aguardar pelo instante certo quando não se tem domínio sobre o tempo ou sobre o destino ?
Felicidade é criar motivos para sorrir; é inventar desejos novos; é juntar papel com lápis de colorir...Tudo, num puro e mágico encontro. 
Tem gente que sabe, rabiscar a vida com pedaços de giz guardados em uma caixa, que deveria ser aberta só depois de amanhã. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Opinião.Estudar é um sonho embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante. É o único sonho garantido por lei e o que exige menos esforço de conquista.


Enquanto profissional da educação também achava que copiar da lousa, ficar sentado e não poder falar com os colegas, durante a explicação do professor,fossem situações dolorosas, cruéis e sem propósito. São muitas as mães que procuram a Coordenação Pedagógica para reclamar de tais atos de tirania e crueldade contra seus filhos.
Mas, o tempo me fez ver esta situação de outra forma. Percebi que a escola se tornou o único lugar seguro para exercermos nosso ato de descontentamento. E o único lugar que ainda se pode reclamar da dor que nossos filhos são obrigados a sentir e suportar, em tão pouca idade. As outras dores, que acontecem fora da escola, não estão mais sendo passíveis de reclamação.
Em certa formação, sobre alimentação saudável, ouvi da palestrante que os péssimos hábitos alimentares dos alunos são aprendidos na escola. Na minha opinião, em particular, ocorre justamente o contrário. Os poucos bons hábitos existentes, são aprendidos na escola. Afinal de contas, enquanto a cidade trabalha, alguém precisa ensinar alguma coisa, já que a atual dinâmica de sobrevivência não tem permitido também acompanhar a vida escolar e formação dos filhos.
A sociedade ainda não entendeu o que a escola tem feito, diariamente, por crianças e jovens, filhos de homens e mulheres trabalhadores. Tem contribuído pela formação e principalmente pela existência. Digo existência porque todos os dias, crianças e jovens, são abandonados pela sociedade que trabalha. E é a escola quem olha pra todos eles e diz “você existe”. Observa tudo e percebe se  chegam, se faltam, se estudam, se estão vestidos adequadamente, se trouxeram o material necessário, se guardaram seus equipamentos eletrônicos ( inseparáveis), se a relação com o outro tem sido respeitosa, se abrem o caderno, se fazem a lição de casa, se entregam os trabalhos, se realizam as pesquisas, se entendem, se aprendem, se sonham e se possuem projetos para o futuro...
É na escola que podemos errar e tentar acertos. E mesmo que seja um local que provoca “dor” também tem provocado muitas alegrias. É um espaço de tantas outras vivencias e de tantas outras aprendizagens sobre sentimentos e sensações.
Ao refletirmos sobre o fato de avançarmos tanto em relação ao direito de estar na escola sem termos alcançado o seu verdadeiro propósito, aprender.
Podemos questionar o mesmo do trabalho. Como é possível trabalhar e alcançar tão pouco o propósito por tal esforço diário?
Sabemos que o propósito de estudar é aprender. E qual seria mesmo o propósito do trabalho ???
Responder esta questão talvez nos ajude a compreender o motivo pelo qual os alunos estudam, e não aprendem.  
Parece fácil culpar as escolas e seus profissionais pela pouca aprendizagem, como se este processo dependesse apenas de dois atores e de um único cenário. Na verdade, é um jogo de futebol que precisa também de torcedores. Onde a regra não seja mais esconder a bola. Como a sociedade espera gols?
O gol só tem acontecido quando existe a trapaça de colocar em jogo uma segunda bola. Esta representa por todos os esforços que a escola comumente faz assumindo atribuições e tarefas que deveriam ser da família e da sociedade A regra precisa mudar para que a bola permaneça em campo e seus jogadores consigam balançar as redes da aprendizagem.
Nossos alunos não aprendem porque o aprender é propósito e interesse só da escola quando deveria ser de todos.  
Se o trabalho impede tal atuação e as escolas permanecem sozinhas nesta jogada a melhor forma de torcer é não assediar moralmente os esforços de quem faz um pouco, todos os dias, pela formação de crianças e jovens.
Valorizar a escola e seus profissionais é o primeiro passo para que a aprendizagem aconteça. Valorizar é colocar todas as bolas no campo e deixar o gol por nossa conta.
A curiosidade não está no fato do índice de desenvolvimento humano não apresentar dados positivos sobre a aprendizagem dos estudantes e sim no fato da sociedade continuar esperando por bons resultados quando tem feito muito pouco para que isto realmente aconteça.
O nosso país é realmente muito engraçado. Desde quando é preciso estudar e aprender pra ser país do futebol ???

Está na hora da sociedade perguntar para o Brasil o que ele realmente quer ser, quando crescer!

Sentimentos.Um sonho que realiza SONHOS...

Um sonho que realiza SONHOS
Entrei no Face para acompanhar as últimas postagens e fiquei pensativa sobre algumas frases, de pessoas e histórias que conheço muito bem. Três gerações e o mesmo sonho.
O primeiro, já adulto, fala do que infelizmente não foi possível viver;
O segundo, fala do momento que ainda vive, enquanto a idade não chega e os sonhos ainda parecem possíveis;
O terceiro, o mais novo, fala de “liberdade”.
Não a liberdade no sentido de escolha, tomada de decisão, uma forma de ver, sentir, pensar, de ir, de voltar...
Grita aquela liberdade de não mais estar naquele lugar que acabou ficando por algum tempo.
Três vidas, três destinos e um único sonho: Ser jogador de futebol.
Nenhum dos três com um bom histórico escolar. Mas, indiscutivelmente, três talentos na grande arte de jogar e de lançar a bola em uma rede, que no fim balança.
A lei diz que todo ser humano é um ser valoroso e que tal valor independe de suas características ou diferenças.
Não é possível o exercício pleno da cidadania quando participamos de uma sociedade de deveres, onde direitos básicos são negados aqueles que moram em determinados lugares e vivem de determinada forma. Tal fato caracteriza discriminação, o que para nossa lei brasileira significa crime. Tratar, de forma diferente, pessoas por conta de suas particularidades ou diferenças.
É bom lembrar que nossa diferença é apenas geográfica e territorial porque, mesmo morando e vivendo em Pernambuco, São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, somos parte de uma mesma nação. Sendo nossa diferença o lugar que ocupamos no espaço, já que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no universo, nossas semelhanças nos tornam praticamente iguais. Isto significa que sendo igual ou diferente, não importa, nosso valor é o mesmo.
Sei, não dá para viver uma cidadania pela metade.
Para uns, os direitos;
Para outros, os deveres;
Para uns, os sonhos;
Par outros, a sobrevivência.
A impressão que tenho é que a sociedade é criminosa pois vive em constante ato de pura discriminação. Até quando permitiremos que tais crimes continuem impunes?
Aquele que diz ter sido obrigado a escolher entre sonhar ou sobreviver, na minha opinião, não teve escolhas. Se não teve escolhas, não é, nunca foi e nunca será livre.
Aquele que canta a liberdade, continua preso como sempre esteve.
Ambos, não sabem que foram roubados em sua cidadania e discriminados por suas diferenças.
E existe sim o verdadeiro culpado pela liberdade perdida e pelo sonho trocado pela simples sobrevivência.
Todos passaram pela escola com o mesmo desejo e vontade de que este passar fosse o mais breve possível. Quando, na verdade, deveriam ter andado com passos pequenos e lentos para EXPERIMENTAR o único sonho que a lei diz ser obrigatório.
Muitas crianças e jovens não sabem que estudar é muito mais do que entrar, sentar e sair. Estudar é um sonho embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante.
Não digo que é através da escola e dos estudos que podemos realizar todos os nossos sonhos. Digo apenas que hoje, infelizmente, este é o único sonho que pode ser conquistado com menos esforço do que já foi no passado.
Para os outros sonhos ainda não existe uma lei que garanta, ao menos, passar por ele durante algum tempo e abrir as mãos quando cansar e sentir vontade de sonhar outros sonhos.  
Talvez exista sim, só que no Brasil chamamos de liberdade. Por isso, não podemos permitir atitudes de discriminação contra quem quer que seja principalmente contra aqueles que ainda sonham. Porque a discriminação é um crime tão cruel que tira do ser humano a sua liberdade. E quando o ser humano deixa de ser livre deixa de ser também dono de suas próprias escolhas.
Grande parte da população não escolhe viver da forma como vivem. O que ocorre, na verdade, é que a cidade (ou o país), através da sua previsão orçamentária, decide qual parte da população ficará sem sonhos, já que é bastante caricato, na política, dizer que o orçamento não é suficiente, para garantir a dignidade de todos. É claro que não é, só dá mesmo para garantir a dignidade de pequena parcela da população, preferencialmente daquela que possui sonhos nobres como: Acumular cada vez mais capital às custas da superexploração do trabalho. Assim tem sido nos países periféricos e hegemônicos.
Este tem sido o sonho do mundo, antigo e moderno, enriquecer às custas de muitos sonhos perdidos.
É por isso que nossas crianças e jovens precisam se preocupar com a tal sobrevivência desde cedo porque, sendo jovens, possuem a terrível mania de sonhar demais.  
Os sonhos são perigosos porque acabam sempre no campo do improviso e do inesperado. Por isso, precisam ser controlados e sonhados por quem sabe ou por quem pode.
E assim vão sendo construídos sonhos pré-fabricados e a divulgação fica a cargo da mídia e dos meios de comunicação de massa. De repente, pessoas que moram em São Paulo, Rio de Janeiro ou em Pernambuco acabam, por incrível que pareça, sonhando os mesmos sonhos e publicando nas redes sociais seus cenários de pura sobrevivência. E tais discursos sempre me fazem refletir sobre sonhos, liberdade e escolhas.
Escolhas são decisões feitas a partir de valores. Se a população geralmente abre mão dos seus sonhos, porque precisa se preocupar primeiro com a sobrevivência, entendo que ela escolhe alternativas que são a favor da vida.
No momento que for livre as alternativas serão a favor de uma vida com qualidade ambiental, que é o bem mais precioso de uma existência humana, segundo a lei.
Desejo que crianças e jovens aprendam nas escolas a sonhar por si mesmas e um dia sejam capazes de sonhar o maior de todos os sonhos, o de serem realmente livres. E quando isto acontecer, não importa se serão artistas, modelos ou jogadores de futebol porque TODOS, independentemente das escolhas que façam, viverão com dignidade.  Este sim é um sonho que realiza SONHOS.   



  

Opinião.Crianças e jovens continuam gritando silenciosamente : Hear my voice !


O som da voz da primeira pessoa que falou ao telefone (o próprio inventor) foi perdida. Mas, trecho de testes de gravação de áudio feito pelo próprio Alexandre Graham Bell foi recuperada por pesquisadores do Museu nacional de história americana ( Washington). 

"Hear my voice" - Ouça a minha voz. 

É realmente maravilhoso ouvir a voz do homem que inventou o telefone e que possibilitou o mundo ouvir a voz das pessoas que amamos e que, por algum motivo e razão, estão distantes. 

Nos tempos atuais muitas crianças e jovens ,no mundo inteiro , continuam gritando e pedindo , silenciosamente : 
Hear my voice ! Mas, o mundo voltou no tempo, antes de 1876, onde a voz ainda não era possível de ser ouvida. 

Sendo assim, recomendo : Façam fumaças ! 


Acessem o link abaixo e escutem a voz do inventor do telefone...é o mesmo clamor dos movimentos atuais.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Myself : Pai


Pai, o que posso falar neste momento
se a dor ainda dói por dentro
como consolar meu coração

Pai, foste embora e nem tiveste
tempo para dizer adeus
um lagrima rolou nos olhos teus

Ultimo ar para quem se vai
ultimo sonho pra quem ficar sem te sentir
a saudade que não quer partir
já fez sua morada em mim

Porque tu es infinito sim
fostes, es e serás meu pai até o fim