sábado, 12 de outubro de 2013

Sonhos e medos

Aquele que destruiu meus sonhos também me ajudou a enfrentar meus medos. 
                                                                      Simone Lúcia 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Promessas de amor e de vida


Hoje, ligaram para saber como estou. A voz ,que vinha do outro lado da linha ,relatava o seu sofrer, simplesmente igual ,e depois passou a falar com tom nervosamente risonho. 
São tantos os risos de causos e de dor. Um jeito típico de falar, que mistura sofrimento, tristeza com imensa esperança e alegria. 

Mas, tudo o que se ouvia ,já havia chegado aos ouvidos do passado. Fato que contradiz a lei da natureza do não ser possível voltar realmente ao mesmo local de acontecimentos passados. 

Ao ouvir aquela voz ,tão conhecida, chorei em segredo, para que a voz não ouvisse ou soubesse minha dor. Então, falei da importância pela espera, para quem já viveu o dobro de mim. 

Chorei, a dor por mim, pelos meus e pelos outros. 
Chorei, a inercia do fazer , do pensar ou do dizer. Simplesmente, porque ,sei não ser possível, ensinar ou aprender,esperar pela espera. 

A fala que conta a rotina de uma vida simples : acordar, ler um livro, ouvir uma música, praticar atividade esportiva...Dependendo da idade, pode ser essa tal esperança quieta ou a recompensa de um passado que começa a pagar as próprias contas. 

A pior pobreza é aquela que não é necessária. Pobreza que é puro desprezo de quem parte. Pobreza que é sinônimo de vingança puro ato egoísta do abandono. Pobreza construída e justificada no nosso não merecer. É um sofrer "de graça", um sofrer que tem preço, sentido e existência na negação do outro e no egoismo de alguém. É justamente esta pobreza que temo em dividir com pobres seres de mim. 

Caso o futuro fosse sido revelado no passado vivido, certamente, tais existências não teriam existido. O que pensei ,naquele dado instante ,não foi suficientemente razão, para ter ultrapassado a possibilidade acidental que, as vezes, é a vida ?

Vida gerada na esperança de uma amanhã que começa no ato inconsciente de instintiva sobrevivência. 

Mais desejo do que consciência. 

Mais emoção do que razão. mais ganhos do que perdas. 

A lei de uma compensação ainda ,se quer ,imaginada. 

Mas, para quem respira o amor, todo o fruto se desdobra na felicidade enquanto promessa. Esta é a lei que faz brotar a vida e dar continuidade ao agora. 

Sem promessas, por que amar e viver ?


Abrindo caixas


Um hoje, como passo dado em direção do desejo ou do pensar. 
Um amanhã, sempre construído de retalhos; de passos largos; abraços afetuosos;suspiros doces de desejo. Por viver, com intensidade, o aqui e o agora , deixando o amanhã para os olhos que acordam. 
Para uns, o "vir a ser" ou o "se tornar", são sempre possibilidades de encontros. 
Para outros, o trabalho diário ,de significar o agora,faz , de cada instante, cadeias e trilhas que promovem chegadas. 
Deixar vir ,ao nosso encontro,nossa própria procura. Antecipar a felicidade do amanhã;comer chocolate que não se embala e sentir o doce, antes do fim ou do começo. Ato ecologicamente saudável para alma, pura redução e desperdício, de dor e de espera. 
Por que aguardar pelo instante certo quando não se tem domínio sobre o tempo ou sobre o destino ?
Felicidade é criar motivos para sorrir; é inventar desejos novos; é juntar papel com lápis de colorir...Tudo, num puro e mágico encontro. 
Tem gente que sabe, rabiscar a vida com pedaços de giz guardados em uma caixa, que deveria ser aberta só depois de amanhã. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Opinião.Estudar é um sonho embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante. É o único sonho garantido por lei e o que exige menos esforço de conquista.


Enquanto profissional da educação também achava que copiar da lousa, ficar sentado e não poder falar com os colegas, durante a explicação do professor,fossem situações dolorosas, cruéis e sem propósito. São muitas as mães que procuram a Coordenação Pedagógica para reclamar de tais atos de tirania e crueldade contra seus filhos.
Mas, o tempo me fez ver esta situação de outra forma. Percebi que a escola se tornou o único lugar seguro para exercermos nosso ato de descontentamento. E o único lugar que ainda se pode reclamar da dor que nossos filhos são obrigados a sentir e suportar, em tão pouca idade. As outras dores, que acontecem fora da escola, não estão mais sendo passíveis de reclamação.
Em certa formação, sobre alimentação saudável, ouvi da palestrante que os péssimos hábitos alimentares dos alunos são aprendidos na escola. Na minha opinião, em particular, ocorre justamente o contrário. Os poucos bons hábitos existentes, são aprendidos na escola. Afinal de contas, enquanto a cidade trabalha, alguém precisa ensinar alguma coisa, já que a atual dinâmica de sobrevivência não tem permitido também acompanhar a vida escolar e formação dos filhos.
A sociedade ainda não entendeu o que a escola tem feito, diariamente, por crianças e jovens, filhos de homens e mulheres trabalhadores. Tem contribuído pela formação e principalmente pela existência. Digo existência porque todos os dias, crianças e jovens, são abandonados pela sociedade que trabalha. E é a escola quem olha pra todos eles e diz “você existe”. Observa tudo e percebe se  chegam, se faltam, se estudam, se estão vestidos adequadamente, se trouxeram o material necessário, se guardaram seus equipamentos eletrônicos ( inseparáveis), se a relação com o outro tem sido respeitosa, se abrem o caderno, se fazem a lição de casa, se entregam os trabalhos, se realizam as pesquisas, se entendem, se aprendem, se sonham e se possuem projetos para o futuro...
É na escola que podemos errar e tentar acertos. E mesmo que seja um local que provoca “dor” também tem provocado muitas alegrias. É um espaço de tantas outras vivencias e de tantas outras aprendizagens sobre sentimentos e sensações.
Ao refletirmos sobre o fato de avançarmos tanto em relação ao direito de estar na escola sem termos alcançado o seu verdadeiro propósito, aprender.
Podemos questionar o mesmo do trabalho. Como é possível trabalhar e alcançar tão pouco o propósito por tal esforço diário?
Sabemos que o propósito de estudar é aprender. E qual seria mesmo o propósito do trabalho ???
Responder esta questão talvez nos ajude a compreender o motivo pelo qual os alunos estudam, e não aprendem.  
Parece fácil culpar as escolas e seus profissionais pela pouca aprendizagem, como se este processo dependesse apenas de dois atores e de um único cenário. Na verdade, é um jogo de futebol que precisa também de torcedores. Onde a regra não seja mais esconder a bola. Como a sociedade espera gols?
O gol só tem acontecido quando existe a trapaça de colocar em jogo uma segunda bola. Esta representa por todos os esforços que a escola comumente faz assumindo atribuições e tarefas que deveriam ser da família e da sociedade A regra precisa mudar para que a bola permaneça em campo e seus jogadores consigam balançar as redes da aprendizagem.
Nossos alunos não aprendem porque o aprender é propósito e interesse só da escola quando deveria ser de todos.  
Se o trabalho impede tal atuação e as escolas permanecem sozinhas nesta jogada a melhor forma de torcer é não assediar moralmente os esforços de quem faz um pouco, todos os dias, pela formação de crianças e jovens.
Valorizar a escola e seus profissionais é o primeiro passo para que a aprendizagem aconteça. Valorizar é colocar todas as bolas no campo e deixar o gol por nossa conta.
A curiosidade não está no fato do índice de desenvolvimento humano não apresentar dados positivos sobre a aprendizagem dos estudantes e sim no fato da sociedade continuar esperando por bons resultados quando tem feito muito pouco para que isto realmente aconteça.
O nosso país é realmente muito engraçado. Desde quando é preciso estudar e aprender pra ser país do futebol ???

Está na hora da sociedade perguntar para o Brasil o que ele realmente quer ser, quando crescer!

Sentimentos.Um sonho que realiza SONHOS...

Um sonho que realiza SONHOS
Entrei no Face para acompanhar as últimas postagens e fiquei pensativa sobre algumas frases, de pessoas e histórias que conheço muito bem. Três gerações e o mesmo sonho.
O primeiro, já adulto, fala do que infelizmente não foi possível viver;
O segundo, fala do momento que ainda vive, enquanto a idade não chega e os sonhos ainda parecem possíveis;
O terceiro, o mais novo, fala de “liberdade”.
Não a liberdade no sentido de escolha, tomada de decisão, uma forma de ver, sentir, pensar, de ir, de voltar...
Grita aquela liberdade de não mais estar naquele lugar que acabou ficando por algum tempo.
Três vidas, três destinos e um único sonho: Ser jogador de futebol.
Nenhum dos três com um bom histórico escolar. Mas, indiscutivelmente, três talentos na grande arte de jogar e de lançar a bola em uma rede, que no fim balança.
A lei diz que todo ser humano é um ser valoroso e que tal valor independe de suas características ou diferenças.
Não é possível o exercício pleno da cidadania quando participamos de uma sociedade de deveres, onde direitos básicos são negados aqueles que moram em determinados lugares e vivem de determinada forma. Tal fato caracteriza discriminação, o que para nossa lei brasileira significa crime. Tratar, de forma diferente, pessoas por conta de suas particularidades ou diferenças.
É bom lembrar que nossa diferença é apenas geográfica e territorial porque, mesmo morando e vivendo em Pernambuco, São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, somos parte de uma mesma nação. Sendo nossa diferença o lugar que ocupamos no espaço, já que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no universo, nossas semelhanças nos tornam praticamente iguais. Isto significa que sendo igual ou diferente, não importa, nosso valor é o mesmo.
Sei, não dá para viver uma cidadania pela metade.
Para uns, os direitos;
Para outros, os deveres;
Para uns, os sonhos;
Par outros, a sobrevivência.
A impressão que tenho é que a sociedade é criminosa pois vive em constante ato de pura discriminação. Até quando permitiremos que tais crimes continuem impunes?
Aquele que diz ter sido obrigado a escolher entre sonhar ou sobreviver, na minha opinião, não teve escolhas. Se não teve escolhas, não é, nunca foi e nunca será livre.
Aquele que canta a liberdade, continua preso como sempre esteve.
Ambos, não sabem que foram roubados em sua cidadania e discriminados por suas diferenças.
E existe sim o verdadeiro culpado pela liberdade perdida e pelo sonho trocado pela simples sobrevivência.
Todos passaram pela escola com o mesmo desejo e vontade de que este passar fosse o mais breve possível. Quando, na verdade, deveriam ter andado com passos pequenos e lentos para EXPERIMENTAR o único sonho que a lei diz ser obrigatório.
Muitas crianças e jovens não sabem que estudar é muito mais do que entrar, sentar e sair. Estudar é um sonho embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante.
Não digo que é através da escola e dos estudos que podemos realizar todos os nossos sonhos. Digo apenas que hoje, infelizmente, este é o único sonho que pode ser conquistado com menos esforço do que já foi no passado.
Para os outros sonhos ainda não existe uma lei que garanta, ao menos, passar por ele durante algum tempo e abrir as mãos quando cansar e sentir vontade de sonhar outros sonhos.  
Talvez exista sim, só que no Brasil chamamos de liberdade. Por isso, não podemos permitir atitudes de discriminação contra quem quer que seja principalmente contra aqueles que ainda sonham. Porque a discriminação é um crime tão cruel que tira do ser humano a sua liberdade. E quando o ser humano deixa de ser livre deixa de ser também dono de suas próprias escolhas.
Grande parte da população não escolhe viver da forma como vivem. O que ocorre, na verdade, é que a cidade (ou o país), através da sua previsão orçamentária, decide qual parte da população ficará sem sonhos, já que é bastante caricato, na política, dizer que o orçamento não é suficiente, para garantir a dignidade de todos. É claro que não é, só dá mesmo para garantir a dignidade de pequena parcela da população, preferencialmente daquela que possui sonhos nobres como: Acumular cada vez mais capital às custas da superexploração do trabalho. Assim tem sido nos países periféricos e hegemônicos.
Este tem sido o sonho do mundo, antigo e moderno, enriquecer às custas de muitos sonhos perdidos.
É por isso que nossas crianças e jovens precisam se preocupar com a tal sobrevivência desde cedo porque, sendo jovens, possuem a terrível mania de sonhar demais.  
Os sonhos são perigosos porque acabam sempre no campo do improviso e do inesperado. Por isso, precisam ser controlados e sonhados por quem sabe ou por quem pode.
E assim vão sendo construídos sonhos pré-fabricados e a divulgação fica a cargo da mídia e dos meios de comunicação de massa. De repente, pessoas que moram em São Paulo, Rio de Janeiro ou em Pernambuco acabam, por incrível que pareça, sonhando os mesmos sonhos e publicando nas redes sociais seus cenários de pura sobrevivência. E tais discursos sempre me fazem refletir sobre sonhos, liberdade e escolhas.
Escolhas são decisões feitas a partir de valores. Se a população geralmente abre mão dos seus sonhos, porque precisa se preocupar primeiro com a sobrevivência, entendo que ela escolhe alternativas que são a favor da vida.
No momento que for livre as alternativas serão a favor de uma vida com qualidade ambiental, que é o bem mais precioso de uma existência humana, segundo a lei.
Desejo que crianças e jovens aprendam nas escolas a sonhar por si mesmas e um dia sejam capazes de sonhar o maior de todos os sonhos, o de serem realmente livres. E quando isto acontecer, não importa se serão artistas, modelos ou jogadores de futebol porque TODOS, independentemente das escolhas que façam, viverão com dignidade.  Este sim é um sonho que realiza SONHOS.   



  

Opinião.Crianças e jovens continuam gritando silenciosamente : Hear my voice !


O som da voz da primeira pessoa que falou ao telefone (o próprio inventor) foi perdida. Mas, trecho de testes de gravação de áudio feito pelo próprio Alexandre Graham Bell foi recuperada por pesquisadores do Museu nacional de história americana ( Washington). 

"Hear my voice" - Ouça a minha voz. 

É realmente maravilhoso ouvir a voz do homem que inventou o telefone e que possibilitou o mundo ouvir a voz das pessoas que amamos e que, por algum motivo e razão, estão distantes. 

Nos tempos atuais muitas crianças e jovens ,no mundo inteiro , continuam gritando e pedindo , silenciosamente : 
Hear my voice ! Mas, o mundo voltou no tempo, antes de 1876, onde a voz ainda não era possível de ser ouvida. 

Sendo assim, recomendo : Façam fumaças ! 


Acessem o link abaixo e escutem a voz do inventor do telefone...é o mesmo clamor dos movimentos atuais.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Myself : Pai


Pai, o que posso falar neste momento
se a dor ainda dói por dentro
como consolar meu coração

Pai, foste embora e nem tiveste
tempo para dizer adeus
um lagrima rolou nos olhos teus

Ultimo ar para quem se vai
ultimo sonho pra quem ficar sem te sentir
a saudade que não quer partir
já fez sua morada em mim

Porque tu es infinito sim
fostes, es e serás meu pai até o fim



Myself : Fostes tudo

Fostes tudo
fostes o primeiro a chegar
fostes tudo
fostes o primeiro a partir e deixar
esta saudade
que o peito invade
e não deixa lugar para amar

Ah !
o que fazer com a tristeza que você deixou ?
preferia chorar por te ter
preferia sofrer com você
mas não ver que foste embora

Ah!
Quanto tempo terei que esperar
pra de novo poder te encontrar
e fazer tudo o que não fiz
e dizer tudo que não falei

Ah!
Se ao menos soubesse onde estás
e você pudesse me ouvir
todos os dias

Sabe a esperança que não pode morrer ?
A felicidade que não pode acabar ?
Foi tudo embora !

Ah!
O que fazer para essa dor me deixar ?
Só se tu pra esta vida voltar
ou a gente se encontrar
quem sabe algum dia

Ah!
Só o tempo trará para mim
esta paz que um dia se foi
este amor que um dia existiu
e de mim não se despediu

Ah!
O que fazer pra esquecer de você
ou será que devo lembrar
todos os meus dias

Fala então que estás mais feliz
mais amado que fostes aqui
Fala então que eu não devo chorar
que não devo sofrer por te amar
pois a vida é tão passageira

Passa e leva o que tem de melhor
passa e deixa o que tem para ficar
que nos tira o que emprestou
sem perguntar

Não tive tempo de dizer
que te amo e não vou te esquecer
meu filho amado

09/04/2001


Meus sonetos : Amar e existir

Como amo o amor em mim
e desejo viver cada instante como único
viver sentindo o coração pulsar
como sangue nas veias a brincar

A luz que ilumina a escuridão
é a que conduz os passos a diante
mesmo que tudo um dia se vá
a espera ficará para sempre

Amar assim é viver intensamente
não por uma paixão que se tem ou se foi
mas pelo desejo de simplesmente sonhar o existir

Meus sonetos : Um sopro de vida

Que sentimento é este que surge
no lugar do amor que nasceu
hoje a morte que vive, me assusta
é o sentido de se sentir o que se perdeu

A brisa que acaricia o pranto
o ar da noite que sopra a chama
apaga a vida que acende
fazendo arder o frio que aquece e congela a´lma

Amar demais não pode causar dor
nem a morte pode ser o fim do que começa
se a vida deixar de ser, o nada passa a existir

Como viver assim sem amar ou viver
é afugentar a brasa do frio que arde
é morrer assim que se nasce

Meus sonetos : Quem sou

Sou a brisa que te toca em silencio
sou ajuda pro teu caminhar
mesmo de longe te faço carinho
te sonho, te beijo e te adormeço neste meu cantar

Se o sopro parte ainda sem vento
e o silencio anuncia a minha chegada
parto bem antes que o dia amanheça
retorno antes que a noite se faça

Se em cada sonho me torno realização
a distancia só serve de espelho para contemplação
a beleza se perde bem perto, me afaste logo deste teu olhar

Meus Sonetos : Saudade

Dizem que a saudade é irmã do amor
irmã ingrata e sem alma tênue
que conta os suspiros de quem triste chora
lamenta o reencontro das paixões que vão embora

Doce fosse assim partir sem amor
para não conhecer também o fruto irmão da dor
castigar sentimentos em flor a brotar
perdidos sentidos desfalecendo a sonhar

Se assim não fosse a vida me levar para bem longe
para o local onde fosse impossível te ver ou sentir
é preferível conhecer o fel para beijar-lhe docemente a face

domingo, 28 de julho de 2013

Sentimentos : Papa Francisco, o tempero que faltava no preparo de um país que tem fome de justiça.

Fazer uma retrospectiva sobre a própria vida é algo bastante difícil principalmente quando algumas decisões, em determinadas épocas e contextos, nos trazem a lugares e situações antes inimagináveis.

Ao reencontrar uma amiga de infância, através das redes sociais, acabei compartilhando um pouco da vida que tenho e do como acabei chegando a este lugar onde estou, sem jamais ter planejado absolutamente nada. Como ela foi um pouco testemunha dos meus projetos finalizou dizendo que Deus é quem escreve a nossa história, de acordo com planos que vão além do nosso entendimento.
  
Com a visita do Papa Francisco pude compreender o que ele quis dizer ao afirmar que , quando acolhemos Jesus Cristo, nossas vidas se transformam, os caminhos do futuro se iluminam, fazendo nascer asas de esperança para um caminhar com alegria.  

Mas, nem sempre, a alegria nos acompanha em toda a jornada e em alguns momentos achamos que erramos o caminho.

Agora sei que estou exatamente onde devo estar. O erro nunca esteve na estrada, no rumo, na direção ou no caminho trilhado porque, desde o princípio, o que orientou minhas decisões e escolhas foi o amor. E, agora sei, o amor realmente transforma. Por isso, depois que acolhemos o amor em nossa vida, os projetos de vida e de sonhos passam a ser outros, dando a impressão de que estamos e somos o que não planejamos.

O erro é esquecer de temperar a vida durante o processo de preparo, enquanto se cozinha. Foi exatamente aí onde errei, esqueci, não lembrei. Vai ver que eu não sabia que a vida é exatamente como o alimento que preparamos no fogão da nossa própria casa. Quando compramos comida pronta realmente não temos o controle do seu sabor.  

Segundo o Papa Francisco a fé é a bússola que indica a direção, a esperança é a luz que ilumina caminhos e o amor é o que nos transforma em rocha.
Vem daí nossa força para resistir e descobrir que somos exatamente o que o amor nos faz ser.  Agora sei exatamente o que sou e como cheguei até aqui.

O Papa Francisco me fez refletir também sobre em que ou em quem comumente tenho depositado minha fé. Agora compreendo minhas desilusões, tristezas e decepções. Tem colocado fé em muita coisa e em muitas pessoas quando, na verdade, minha fé deveria ser depositada naquele que posso confiar, somente nele.

A vinda do Papa Francisco foi muito mais do que uma simples visita papal foi o tempero que faltava no preparo de um país que tem muita fome de justiça.

Para minha vida pessoal trouxe a luz necessária que permitiu enxergar o amor existente em todas as minhas escolhas.     






Opinião : Políticas Públicas e a Economia do país: Ataques de tubarões.

Políticas Públicas e a Economia do país: Ataques de tubarões.

Como todos puderam acompanhar a última notícia sobre ataque de tubarão (de verdade) no país já deu pra entender que o início e fim desta história irá girar em torno de questões econômicas, quando poderia ser uma situação-problema para definição de Políticas Públicas para a cidade, para o estado e para o país, já que estamos abrindo as portas, ou o curral, para o mundo globalizado e para o esporte mundial ( copa do mundo em 2014).

A preocupação do estado, da mídia, da família e da sociedade é com a questão econômica (imposto, indenização, investimento... ) decisões e riscos.

O estado de Pernambuco assumiu o risco de optar pelo turismo descompromissado quando acreditou realmente não ter nenhuma responsabilidade pela morte de pessoas “desavisadas”, “teimosas” ou “imprudentes”.

Analisando o fato a partir de uma perspectiva política poderíamos dizer que mais uma vez o julgamento de valor está em jogo e a decisão tomada pelas autoridades (neste jogo de relações políticas que é jogado desde a identificação de uma situação- problema até o processo final de execução e avaliação) comprovou não considerar o seu público beneficiário, ou será que considera? Neste caso, não acredito serem os turistas e nem os tubarões os reais beneficiários de tais decisões.   

A questão do tubarão em Pernambuco, diante de fatos como este, parece que ainda não se tornou uma situação-problema e nem entrou para a agenda pública do estado, afim de ser verificar o grau de controvérsia. Mas, ao acompanhar as notícias vindas da mídia ou da internet é fácil compreender as razões, esta situação não tem um grau de insatisfação que mereça crédito dos atores sociais e nem das autoridades. Todos concordam que a culpa é da jovem (que gosta de mar).

Vamos utilizar como exemplo o “bolsa escola”, aquela política de colocar na escola quem deveria estar dentro dela. Qual seria a relação existente entre o bolsa escola e o fato do tubarão ???  Bem, a relação é óbvia, a questão econômica do país.

Se as intervenções precisam ser feitas nas causas o argumento das autoridades acabam sempre sendo o mesmo: a culpa de tudo é da pobreza.
Por isso, quando falam de bandidos, marginais, violência ...falam logo da pobreza e das favelas.

Quando falam da falta da frequência escolar ....falam da situação de pobreza das famílias .

Não seria uma redução simplista da realidade?

Então a culpa é da jovem.  Pronto!

Esta é a solução mais econômica para a situação-problema e toda a sociedade concorda.

Se não há tanta controvérsia, e todos os atores sociais concordam entre si, não é um problema que exija a adoção de uma política pública.
A repercussão foi pouca, a moça morava no Brasil mesmo e não era filha de nenhuma personalidade ou gente famosa (autoridade, artista ou jogador de futebol) e ainda bem que não era estrangeira. Fica tudo em casa.
Mas, digamos que haja uma política pública. O processo de formulação de alternativas e soluções seria a seguinte:

Partindo da mesma justificativa utilizada no bolsa escola poderíamos fazer a seguinte análise da situação:

A jovem entrou no mar porque a sua família era pobre e não tinha dinheiro para ir a uma praia sem tubarão. Então as alternativas seriam:
1.   Como o fato ocorreu nas férias de julho podemos ampliar os dias letivos e acabar com as férias e recessos escolares e ainda garantir a frequência dos alunos.   
2.   Deixar mais cara a passagem de avião para que os pobres não possam viajar nas férias.
(Pois tem sempre um “engraçadinho” que tem a coragem de revelar publicamente sua insatisfação com o fato do pobre ter dinheiro para andar de avião e não ter para comprar caixão)
3.   Para aqueles que podem pagar, o estado pode pensar em disponibilizar a venda de um serviço de “rede de proteção contra tubarões” para que, determinados turistas, possam tomar banho de mar na praia de Boa Viagem com segurança total.
4.   Proibir entrar no mar (risco de morte por ataque de tubarão seria zero)
       
Esta quarta alternativa é realmente bárbara. Vou explicar melhor:
Proibir o cidadão de entrar no mar é mais fácil porque não tem custos para o estado é tudo uma questão de criar uma lei. Da próxima vez que alguém entrar no mar e for atacado por um tubarão a sociedade, a mídia e as autoridades poderão afirmar categoricamente que a pessoa além de ter sido teimosa e imprudente também foi criminosa porque cometeu um crime diante da justiça. E comprovado o crime, através de um atestado de óbito confirmando que a causa da morte foi realmente por ataque de tubarão, a família poderia assumir o pagamento de uma multa, prestar serviços comunitários, já que quem cometeu o crime havia morrido sem arcar com as sanções previstas em lei.

A nossa Constituição Federal é bastante clara ao dizer que ninguém deve ser obrigado a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa se não for em virtude de uma lei. Sendo assim, a jovem não cometeu crime algum, pois ainda não existe esta lei em Pernambuco de que é proibido entrar no mar. E este fato não impediu da jovem ser julgada publicamente e ser condenada sem direito a ampla defesa.

Lei que proíbe entrar no mar realmente não deve existir porque tem gente fazendo do mar seu quintal, por exemplo, na Praia do Iporanga (Guarujá- SP) onde estive pessoalmente para ver, com meus próprios olhos, o que outros “tubarões” (de uma outra espécie) estão mordendo por aí (o nosso patrimônio ambiental). Naquelas lindas praias que ainda não tem tubarão de verdade. Lá, qualquer dia, também vão querer inventar uma lei que impeça o cidadão, como nós, de não só tomar banho de mar como também de entrar na cachoeira. É exatamente lá onde existe aquela tal placa dizendo “seja breve”.

Enfim, tudo o que falei até agora parece um monte de bobagem. Mas, é exatamente desta forma que percebo algumas das políticas públicas que, na minha opinião, estão sendo pensadas sem nenhuma preocupação com o público beneficiário, que deveria ser o povo. Minha ingenuidade pode ser tanta que eu possa estar completamente equivocada, por exemplo, em acreditar mesmo que certas políticas estão sendo pensadas para as crianças e jovens que estão fora da escola.

Fica um alerta para quem ainda não entendeu que tudo o que acontece na vida é uma questão de decisão e de escolhas. E toda decisão passa por um julgamento de valor e por riscos. Se a jovem decidiu entrar no mar e assumiu o risco de morrer após ser atacada por um tubarão, a sociedade deveria se perguntar quais valores esta jovem tinha. Os nossos valores falam muito sobre o que somos e pensamos sobre o outro, sobre o mundo e sobre nós mesmos. Garanto, os valores dela eram nobres.

O Estado de Pernambuco também fez suas próprias escolhas, tomou decisões quando optou por intervir ou não no problema dos tubarões nas parais litorâneas. E toda essa decisão de agir, ou não, foi guiada por um julgamento de valor e por riscos. O risco todos vocês viram qual foi (a morte de dezenas de seres humanos). A sociedade deveria se perguntar qual julgamento de valor guiou o Estado no momento que escolheu alternativas inadequadas e que desconsideravam completamente os sujeitos beneficiários. Respondo, o valor da vida humana não foi.  A sociedade também deveria perguntar a si mesmo, diante de fatos como estes, quem são os reais beneficiários de tais políticas de prevenção contra ataques de tubarão nas praias litorâneas do Nordeste. Respondo: Não são os cidadãos e nem mesmo os tubarões de verdade. Basta olhar as causas que possibilitaram tais ataques. Quem estuda Políticas Públicas sabe muito bem que as ações devem atuar nas causas do problema.

_ Pernambucanos, saiam já deste mar !

Realmente, ele está cheio de tubarões !    

Sentimentos :Peço a todos : UM MINUTO DE SILÊNCIO !




Desde o momento da triste notícia do que aconteceu com a Bruna, na praia de Boa Viagem quando foi atacada por um tubarão e morreu logo depois, a impressão que tive foi de que a mídia já agia mostrando as placas de sinalização e depoimentos a favor da vítima, que não era nem a Bruna e nem o tubarão.
Na internet ocorreu praticamente a mesma coisa, não faltaram críticas a jovem de 18 anos por sua “desobediência” e ao tio, por sua suposta “ganancia” ao dizer que iria processar o estado.
Sou pernambucana e moro em São Paulo há mais 13 anos, e não estou aqui apenas levantando uma bandeira branca estou pedindo também um minuto de silêncio.
Minha defesa é a favor da vida que se foi, uma jovem de 18 anos que simplesmente queria tomar banho de mar.
Quem sai de São Paulo e se depara com aquele mar lindo do Nordeste, águas quentes e céu azul fica realmente deslumbrado. Vocês já pararam para pensar que este pode ter sido o único “NÃO” que a Bruna pode ter dado em toda a sua vida? Alguém sabe a sua história, a sua forma de viver, seus sonhos e a felicidade imensa que deve ter sentido entrar no mar naquele dia?
A Bruna não pode ser lembrada por sua imprudência e sim por seu encantamento diante da beleza que é a vida. É disto que ninguém lembra, fala ou recorda, do quanto tiram das pessoas as suas   riquezas (a natureza, os rios, o mar ...). Os que praticam tais crimes continuam vivos, impunes e recebem poucas críticas.
Talvez ninguém entenda o fato de tamanha rebeldia ao ponto da jovem ignorar completamente todas as placas de sinalização, todas as falas e orientações. Mas, em qual país a Bruna morava? Será que morava no País das maravilhas, onde em todos os lugares têm flores, onde as leis são cumpridas e ninguém passa o sinal vermelho ?
Não ! A Bruna morava no Brasil das desigualdades e das injustiças numa terra onde ninguém parece se preocupar com ninguém. E, de repente, chega em Recife para visitar sua avó e em um lugar maravilhoso simplesmente querem lhe impedir de entrar no mar. É claro que ela não entendeu absolutamente nada. Talvez imaginou a mesma coisa que eu quando estive, certa vez,  na Praia do Iporanga (Guarujá/SP) quando tinha “uma placa” ao lado de uma linda cachoeira dizendo “Seja breve “ , enquanto pessoas simplesmente moravam neste local e faziam desta reserva (nossa enquanto patrimônio ambiental)  o quintal de suas casas, não sendo nada breves.
O que eu quero dizer é que a Bruna talvez se tornou uma moça que aprendeu com a sociedade a não acreditar nas “boas intenções” das pessoas e preferiu acreditar em alguma coisa. Preferiu acreditar nos seus próprios sonhos e desejos.
Talvez ela tenha errado e seu erro custou a sua própria vida. E só !
Mas, ela não errou porque foi imprudente, desobediente ou por ter acreditado nos seus sonhos e desejos. A Bruna errou quando deixou de acreditar nas pessoas. E é exatamente isto o que estamos fazendo hoje , estamos desacreditando nas intenções da Bruna e nos sentimentos de um tio e de toda uma família. Erramos como ela e ainda estamos aqui vivinhos. Vai ver que a morte não seja castigo e viver seja o fim para aqueles que só podem ir embora depois de terem aprendido a primeira lição da vida : VIVER.
A Bruna morreu porque VIVEU intensamente a sua vida...foi só isso que ela fez. E viver não é imprudência, desobediência e nem crime.
Fala-se tanto da imprudência e nada da vida que perdemos. Sim, perdemos !
A Bruna perdeu a vida, não sei exatamente o que isto significa, já que da morte nada entendo.
(Nós) Perdemos a nossa humanidade e sensibilidade diante de fatos como este.
A única coisa que a sociedade está fazendo é discutir quem vai pagar a conta depois de termos bebido na mesma taça de amargura e de dor.
É exatamente isto o que a dor faz, silencia nossos sentidos para que possamos encontrar conforto na preocupação se vamos ter que pagar alguma coisa ou se a dor vai sair de graça mesmo.
O “povo” de São Paulo nunca defendeu tanto nordestino e se uniu em prol do estado de Pernambuco. Será em defesa dos impostos porque sabem muito bem o quanto custam “coisas” e não fazem ideia do quando realmente vai acabar custando uma vida ?     
Que leitura EU posso fazer deste cenário e desta tão grande união em defesa de tão pouco, enquanto a vida de um ser humano é tirada de todos nós ?
SOFRO!!! E é somente isto que devo fazer com a minha dor...SOFRER ! Deixarei que a justiça faça sua própria defesa. Limitarei a ser HUMANA ,em momentos como este ,dizendo apenas a família da Bruna que sinto muito por tudo isso e sofro junto com ela. Hoje me basta apenas este papel, o papel de simplesmente ser o que somos, um  Ser Humano. Peço apenas um minuto de silêncio em respeito a vida que se foi para que ela possa ir em paz.

Sociedade : UM MINUTO DE SILENCIO !