quarta-feira, 31 de julho de 2013

Opinião.Estudar é um sonho embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante. É o único sonho garantido por lei e o que exige menos esforço de conquista.


Enquanto profissional da educação também achava que copiar da lousa, ficar sentado e não poder falar com os colegas, durante a explicação do professor,fossem situações dolorosas, cruéis e sem propósito. São muitas as mães que procuram a Coordenação Pedagógica para reclamar de tais atos de tirania e crueldade contra seus filhos.
Mas, o tempo me fez ver esta situação de outra forma. Percebi que a escola se tornou o único lugar seguro para exercermos nosso ato de descontentamento. E o único lugar que ainda se pode reclamar da dor que nossos filhos são obrigados a sentir e suportar, em tão pouca idade. As outras dores, que acontecem fora da escola, não estão mais sendo passíveis de reclamação.
Em certa formação, sobre alimentação saudável, ouvi da palestrante que os péssimos hábitos alimentares dos alunos são aprendidos na escola. Na minha opinião, em particular, ocorre justamente o contrário. Os poucos bons hábitos existentes, são aprendidos na escola. Afinal de contas, enquanto a cidade trabalha, alguém precisa ensinar alguma coisa, já que a atual dinâmica de sobrevivência não tem permitido também acompanhar a vida escolar e formação dos filhos.
A sociedade ainda não entendeu o que a escola tem feito, diariamente, por crianças e jovens, filhos de homens e mulheres trabalhadores. Tem contribuído pela formação e principalmente pela existência. Digo existência porque todos os dias, crianças e jovens, são abandonados pela sociedade que trabalha. E é a escola quem olha pra todos eles e diz “você existe”. Observa tudo e percebe se  chegam, se faltam, se estudam, se estão vestidos adequadamente, se trouxeram o material necessário, se guardaram seus equipamentos eletrônicos ( inseparáveis), se a relação com o outro tem sido respeitosa, se abrem o caderno, se fazem a lição de casa, se entregam os trabalhos, se realizam as pesquisas, se entendem, se aprendem, se sonham e se possuem projetos para o futuro...
É na escola que podemos errar e tentar acertos. E mesmo que seja um local que provoca “dor” também tem provocado muitas alegrias. É um espaço de tantas outras vivencias e de tantas outras aprendizagens sobre sentimentos e sensações.
Ao refletirmos sobre o fato de avançarmos tanto em relação ao direito de estar na escola sem termos alcançado o seu verdadeiro propósito, aprender.
Podemos questionar o mesmo do trabalho. Como é possível trabalhar e alcançar tão pouco o propósito por tal esforço diário?
Sabemos que o propósito de estudar é aprender. E qual seria mesmo o propósito do trabalho ???
Responder esta questão talvez nos ajude a compreender o motivo pelo qual os alunos estudam, e não aprendem.  
Parece fácil culpar as escolas e seus profissionais pela pouca aprendizagem, como se este processo dependesse apenas de dois atores e de um único cenário. Na verdade, é um jogo de futebol que precisa também de torcedores. Onde a regra não seja mais esconder a bola. Como a sociedade espera gols?
O gol só tem acontecido quando existe a trapaça de colocar em jogo uma segunda bola. Esta representa por todos os esforços que a escola comumente faz assumindo atribuições e tarefas que deveriam ser da família e da sociedade A regra precisa mudar para que a bola permaneça em campo e seus jogadores consigam balançar as redes da aprendizagem.
Nossos alunos não aprendem porque o aprender é propósito e interesse só da escola quando deveria ser de todos.  
Se o trabalho impede tal atuação e as escolas permanecem sozinhas nesta jogada a melhor forma de torcer é não assediar moralmente os esforços de quem faz um pouco, todos os dias, pela formação de crianças e jovens.
Valorizar a escola e seus profissionais é o primeiro passo para que a aprendizagem aconteça. Valorizar é colocar todas as bolas no campo e deixar o gol por nossa conta.
A curiosidade não está no fato do índice de desenvolvimento humano não apresentar dados positivos sobre a aprendizagem dos estudantes e sim no fato da sociedade continuar esperando por bons resultados quando tem feito muito pouco para que isto realmente aconteça.
O nosso país é realmente muito engraçado. Desde quando é preciso estudar e aprender pra ser país do futebol ???

Está na hora da sociedade perguntar para o Brasil o que ele realmente quer ser, quando crescer!

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