quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sentimentos.Um sonho que realiza SONHOS...

Um sonho que realiza SONHOS
Entrei no Face para acompanhar as últimas postagens e fiquei pensativa sobre algumas frases, de pessoas e histórias que conheço muito bem. Três gerações e o mesmo sonho.
O primeiro, já adulto, fala do que infelizmente não foi possível viver;
O segundo, fala do momento que ainda vive, enquanto a idade não chega e os sonhos ainda parecem possíveis;
O terceiro, o mais novo, fala de “liberdade”.
Não a liberdade no sentido de escolha, tomada de decisão, uma forma de ver, sentir, pensar, de ir, de voltar...
Grita aquela liberdade de não mais estar naquele lugar que acabou ficando por algum tempo.
Três vidas, três destinos e um único sonho: Ser jogador de futebol.
Nenhum dos três com um bom histórico escolar. Mas, indiscutivelmente, três talentos na grande arte de jogar e de lançar a bola em uma rede, que no fim balança.
A lei diz que todo ser humano é um ser valoroso e que tal valor independe de suas características ou diferenças.
Não é possível o exercício pleno da cidadania quando participamos de uma sociedade de deveres, onde direitos básicos são negados aqueles que moram em determinados lugares e vivem de determinada forma. Tal fato caracteriza discriminação, o que para nossa lei brasileira significa crime. Tratar, de forma diferente, pessoas por conta de suas particularidades ou diferenças.
É bom lembrar que nossa diferença é apenas geográfica e territorial porque, mesmo morando e vivendo em Pernambuco, São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, somos parte de uma mesma nação. Sendo nossa diferença o lugar que ocupamos no espaço, já que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no universo, nossas semelhanças nos tornam praticamente iguais. Isto significa que sendo igual ou diferente, não importa, nosso valor é o mesmo.
Sei, não dá para viver uma cidadania pela metade.
Para uns, os direitos;
Para outros, os deveres;
Para uns, os sonhos;
Par outros, a sobrevivência.
A impressão que tenho é que a sociedade é criminosa pois vive em constante ato de pura discriminação. Até quando permitiremos que tais crimes continuem impunes?
Aquele que diz ter sido obrigado a escolher entre sonhar ou sobreviver, na minha opinião, não teve escolhas. Se não teve escolhas, não é, nunca foi e nunca será livre.
Aquele que canta a liberdade, continua preso como sempre esteve.
Ambos, não sabem que foram roubados em sua cidadania e discriminados por suas diferenças.
E existe sim o verdadeiro culpado pela liberdade perdida e pelo sonho trocado pela simples sobrevivência.
Todos passaram pela escola com o mesmo desejo e vontade de que este passar fosse o mais breve possível. Quando, na verdade, deveriam ter andado com passos pequenos e lentos para EXPERIMENTAR o único sonho que a lei diz ser obrigatório.
Muitas crianças e jovens não sabem que estudar é muito mais do que entrar, sentar e sair. Estudar é um sonho embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante.
Não digo que é através da escola e dos estudos que podemos realizar todos os nossos sonhos. Digo apenas que hoje, infelizmente, este é o único sonho que pode ser conquistado com menos esforço do que já foi no passado.
Para os outros sonhos ainda não existe uma lei que garanta, ao menos, passar por ele durante algum tempo e abrir as mãos quando cansar e sentir vontade de sonhar outros sonhos.  
Talvez exista sim, só que no Brasil chamamos de liberdade. Por isso, não podemos permitir atitudes de discriminação contra quem quer que seja principalmente contra aqueles que ainda sonham. Porque a discriminação é um crime tão cruel que tira do ser humano a sua liberdade. E quando o ser humano deixa de ser livre deixa de ser também dono de suas próprias escolhas.
Grande parte da população não escolhe viver da forma como vivem. O que ocorre, na verdade, é que a cidade (ou o país), através da sua previsão orçamentária, decide qual parte da população ficará sem sonhos, já que é bastante caricato, na política, dizer que o orçamento não é suficiente, para garantir a dignidade de todos. É claro que não é, só dá mesmo para garantir a dignidade de pequena parcela da população, preferencialmente daquela que possui sonhos nobres como: Acumular cada vez mais capital às custas da superexploração do trabalho. Assim tem sido nos países periféricos e hegemônicos.
Este tem sido o sonho do mundo, antigo e moderno, enriquecer às custas de muitos sonhos perdidos.
É por isso que nossas crianças e jovens precisam se preocupar com a tal sobrevivência desde cedo porque, sendo jovens, possuem a terrível mania de sonhar demais.  
Os sonhos são perigosos porque acabam sempre no campo do improviso e do inesperado. Por isso, precisam ser controlados e sonhados por quem sabe ou por quem pode.
E assim vão sendo construídos sonhos pré-fabricados e a divulgação fica a cargo da mídia e dos meios de comunicação de massa. De repente, pessoas que moram em São Paulo, Rio de Janeiro ou em Pernambuco acabam, por incrível que pareça, sonhando os mesmos sonhos e publicando nas redes sociais seus cenários de pura sobrevivência. E tais discursos sempre me fazem refletir sobre sonhos, liberdade e escolhas.
Escolhas são decisões feitas a partir de valores. Se a população geralmente abre mão dos seus sonhos, porque precisa se preocupar primeiro com a sobrevivência, entendo que ela escolhe alternativas que são a favor da vida.
No momento que for livre as alternativas serão a favor de uma vida com qualidade ambiental, que é o bem mais precioso de uma existência humana, segundo a lei.
Desejo que crianças e jovens aprendam nas escolas a sonhar por si mesmas e um dia sejam capazes de sonhar o maior de todos os sonhos, o de serem realmente livres. E quando isto acontecer, não importa se serão artistas, modelos ou jogadores de futebol porque TODOS, independentemente das escolhas que façam, viverão com dignidade.  Este sim é um sonho que realiza SONHOS.   



  

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