Um
sonho que realiza SONHOS
Entrei no Face para
acompanhar as últimas postagens e fiquei pensativa sobre algumas frases, de
pessoas e histórias que conheço muito bem. Três gerações e o mesmo sonho.
O primeiro, já adulto, fala
do que infelizmente não foi possível viver;
O segundo, fala do momento
que ainda vive, enquanto a idade não chega e os sonhos ainda parecem possíveis;
O terceiro, o mais novo, fala
de “liberdade”.
Não a liberdade no sentido
de escolha, tomada de decisão, uma forma de ver, sentir, pensar, de ir, de
voltar...
Grita aquela liberdade de
não mais estar naquele lugar que acabou ficando por algum tempo.
Três vidas, três destinos e
um único sonho: Ser jogador de futebol.
Nenhum dos três com um bom
histórico escolar. Mas, indiscutivelmente, três talentos na grande arte de
jogar e de lançar a bola em uma rede, que no fim balança.
A lei diz que todo ser
humano é um ser valoroso e que tal valor independe de suas características ou
diferenças.
Não é possível o exercício pleno
da cidadania quando participamos de uma sociedade de deveres, onde direitos
básicos são negados aqueles que moram em determinados lugares e vivem de
determinada forma. Tal fato caracteriza discriminação, o que para nossa lei
brasileira significa crime. Tratar, de forma diferente, pessoas por conta de
suas particularidades ou diferenças.
É bom lembrar que nossa
diferença é apenas geográfica e territorial porque, mesmo morando e vivendo em
Pernambuco, São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, somos parte de uma mesma
nação. Sendo nossa diferença o lugar que ocupamos no espaço, já que dois corpos
não podem ocupar o mesmo lugar no universo, nossas semelhanças nos tornam
praticamente iguais. Isto significa que sendo igual ou diferente, não importa,
nosso valor é o mesmo.
Sei, não dá para viver uma
cidadania pela metade.
Para uns, os direitos;
Para outros, os deveres;
Para uns, os sonhos;
Par outros, a sobrevivência.
A impressão que tenho é que
a sociedade é criminosa pois vive em constante ato de pura discriminação. Até
quando permitiremos que tais crimes continuem impunes?
Aquele que diz ter sido
obrigado a escolher entre sonhar ou sobreviver, na minha opinião, não teve
escolhas. Se não teve escolhas, não é, nunca foi e nunca será livre.
Aquele que canta a
liberdade, continua preso como sempre esteve.
Ambos, não sabem que foram
roubados em sua cidadania e discriminados por suas diferenças.
E existe sim o verdadeiro
culpado pela liberdade perdida e pelo sonho trocado pela simples sobrevivência.
Todos passaram pela escola
com o mesmo desejo e vontade de que este passar fosse o mais breve possível.
Quando, na verdade, deveriam ter andado com passos pequenos e lentos para
EXPERIMENTAR o único sonho que a lei diz ser obrigatório.
Muitas crianças e jovens não
sabem que estudar é muito mais do que entrar, sentar e sair. Estudar é um sonho
embrulhado em papel de pão e amarrado com barbante.
Não digo que é através da
escola e dos estudos que podemos realizar todos os nossos sonhos. Digo apenas
que hoje, infelizmente, este é o único sonho que pode ser conquistado com menos
esforço do que já foi no passado.
Para os outros sonhos ainda
não existe uma lei que garanta, ao menos, passar por ele durante algum tempo e
abrir as mãos quando cansar e sentir vontade de sonhar outros sonhos.
Talvez exista sim, só que no
Brasil chamamos de liberdade. Por isso, não podemos permitir atitudes de
discriminação contra quem quer que seja principalmente contra aqueles que ainda
sonham. Porque a discriminação é um crime tão cruel que tira do ser humano a
sua liberdade. E quando o ser humano deixa de ser livre deixa de ser também
dono de suas próprias escolhas.
Grande parte da população
não escolhe viver da forma como vivem. O que ocorre, na verdade, é que a cidade
(ou o país), através da sua previsão orçamentária, decide qual parte da
população ficará sem sonhos, já que é bastante caricato, na política, dizer que
o orçamento não é suficiente, para garantir a dignidade de todos. É claro que
não é, só dá mesmo para garantir a dignidade de pequena parcela da população,
preferencialmente daquela que possui sonhos nobres como: Acumular cada vez mais
capital às custas da superexploração do trabalho. Assim tem sido nos países
periféricos e hegemônicos.
Este tem sido o sonho do mundo,
antigo e moderno, enriquecer às custas de muitos sonhos perdidos.
É por isso que nossas
crianças e jovens precisam se preocupar com a tal sobrevivência desde cedo
porque, sendo jovens, possuem a terrível mania de sonhar demais.
Os sonhos são perigosos
porque acabam sempre no campo do improviso e do inesperado. Por isso, precisam
ser controlados e sonhados por quem sabe ou por quem pode.
E assim vão sendo construídos
sonhos pré-fabricados e a divulgação fica a cargo da mídia e dos meios de
comunicação de massa. De repente, pessoas que moram em São Paulo, Rio de
Janeiro ou em Pernambuco acabam, por incrível que pareça, sonhando os mesmos
sonhos e publicando nas redes sociais seus cenários de pura sobrevivência. E tais
discursos sempre me fazem refletir sobre sonhos, liberdade e escolhas.
Escolhas são decisões feitas
a partir de valores. Se a população geralmente abre mão dos seus sonhos, porque
precisa se preocupar primeiro com a sobrevivência, entendo que ela escolhe
alternativas que são a favor da vida.
No momento que for livre as
alternativas serão a favor de uma vida com qualidade ambiental, que é o bem
mais precioso de uma existência humana, segundo a lei.
Desejo que crianças e jovens
aprendam nas escolas a sonhar por si mesmas e um dia sejam capazes de sonhar o
maior de todos os sonhos, o de serem realmente livres. E quando isto acontecer,
não importa se serão artistas, modelos ou jogadores de futebol porque TODOS,
independentemente das escolhas que façam, viverão com
dignidade. Este sim é um sonho que realiza SONHOS.
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